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Artigo Eleições como de costume? Uma análise longitudinal das mudanças provocadas nas campanhas eleitorais brasileiras pelas tecnologias digitais (1998-2016)(2018) Braga, Sérgio Soares; Carlomagno, Márcio Cunha; Tribunal Superior EleitoralBusca empreender um estudo das principais inovações ocorridas nas e-campanhas brasileiras desde 1998. Como método de análise, foi realizada uma sistematização dos principais achados efetuados pela literatura sobre inovações nas e-campanhas brasileiras e apresentados dados sobre o uso das mídias sociais e da internet pelos candidatos nas campanhas eleitorais no Brasil desde 2006, quando estes passaram a ser reunidos de maneira mais sistemática. O exame é focado nas eleições para cargos majoritários (prefeitos de cidades com dois turnos, governadores, senadores e presidentes da República), com atenção especial para as últimas campanhas eleitorais, de 2014 e 2016. Entre os principais resultados empíricos destacam-se a redução do "digital divide" entre as regiões do País no que se refere ao acesso às tecnologias digitais como um todo e a consolidação da hegemonia do Facebook como ferramenta de campanha nas eleições municipais a partir de 2014.Artigo Desempenho individual e transferência de votos no sistema eleitoral proporcional brasileiro(2018) Carlomagno, Márcio Cunha; Carvalho, Valter Rodrigues de; Tribunal Superior EleitoralAnalisa a relação entre desempenho individual dos candidatos, transferência de votos intralista e resultados eleitorais. Historicamente tem sido alegado que o sistema eleitoral proporcional brasileiro geraria uma distorção nos resultados, permitindo que uma parcela significativa dos parlamentares fosse eleita beneficiada pela votação dos partidos/coligações. Argumentamos que essa crença não se efetiva. Analisamos os resultados de todos candidatos a deputado federal entre 1994 e 2014. Os dados mostram que nesse período apenas entre 8,8% e 13,2% dos eleitos não estiveram posicionados, na lista final de votação, até o limite do número de cadeiras em disputa em cada distrito. Além disso, apenas entre 0,8% e 2,8% dos que estiveram nas posições dos "mais votados" não lograram sua eleição, comprovando nossa hipótese. Como implicação desses resultados, defendemos que o sistema proporcional brasileiro já produz resultados equivalentes aos do single non-transferable vote (SNTV), conforme argumentos de Gary Cox. Os resultados contribuem para o debate público sobre reforma política, pois demonstram que a alegada distorção provocada pelo atual sistema não é um bom argumento para a mudança das regras eleitoraisArtigo Estratégias de comunicação digital dos partidos brasileiros e portugueses : um estudo comparado(2017) Braga, Sérgio Soares; Carlomagno, Márcio Cunha; Rocha, Leandro Caetano; Tribunal Superior EleitoralFaz uma análise comparada das estratégias de comunicação digital dos partidos brasileiros e portugueses. Procuraremos verificar a validade, para o caso dos sistemas partidários destes dois países, de três hipóteses gerais formuladas pela literatura internacional sobre a temática: a hipótese da correspondência entre características das organizações partidárias e estratégias de interação na internet, a hipótese da normalização, e a hipótese do surgimento de modelos mais interativos e citizen- initiated de comunicação partidária. Para concretizar essa análise procuraremos dialogar com os resultados e aprofundar a proposta metodológica sugerida por Catarina Silva nos seus estudos sobre os partidos portugueses em período não-eleitoral.Artigo Existe polarização nas postagens de Facebook periódicos brasileiros durante as eleições? : uma análise comparativa da disposição de informações sobre candidatos às eleições presidenciais no Brasil em 2014(2015) Cervi, Emerson Urizzi; Moreira, Adriana Cedillo Morales; Carlomagno, Márcio CunhaPropõe uma análise comparativa das citações dos candidatos à presidência no Brasil a partir das fanfages de Facebook de 12 jornais brasileiros, com o objetivo de identificar, por região, o volume de cobertura e a existência de viés contrário ou favorável a determinado candidato. Utilizamos como metodologia predominante a análise quantitativa de conteúdo para analisar 34.618 posts publicados nas fan pages dos jornais, entre 1º de julho e 31 de outubro de 2014, que citavam pelo menos um dos três principais candidatos a presidente: Aécio Neves (PSDB), Dilma Rousseff (PT) ou Eduardo Campos/Marina Silva (PSB). A variável utilizada para testar a hipótese é a valência do post que cita os candidatos. Os testes demonstraram diferenças importantes entre o primeiro e o segundo turno nas posturas dos jornais por região.Artigo Em que lugares as mulheres têm maiores chances de se eleger vereadoras?(2017) Carlomagno, Márcio CunhaEntre 2000 e 2016, a participação das mulheres nos legislativos municipais no país aumentou de 11,5% para 13,5%. Mas este aumento não foi uniformemente distribuído por todo território nacional. Essa newsletter analisa dados descritivos sobre a taxa de eleição das mulheres para o cargo de vereadora, relacionando a dois aspectos demográficos: (a) tamanho do município; (b) região do país. Descobrimos que, ao contrário do postulado como nossa hipótese, as chances eleitorais das mulheres são inversas ao tamanho da cidade. Cidades até 20 mil eleitores são onde elas mais se elegem, seguido, respectivamente, pelas faixas 20 a 50 mil, de 50 a 200 mil e, por último, mais de 200 mil eleitores. Este padrão se mantém inalterado de 2000 até 2016. O fato deste padrão se manter por todas as cinco eleições indica ser uma característica do sistema. Já no item região percebemos algumas mudanças no período analisado. Nordeste e norte são as regiões onde as mulheres mais se elegeram vereadoras, enquanto o Sudeste, durante todo o período, se mantém estável na última colocação, como o lugar no país que menos elege mulheres. A mudança mais visível no período foi da região sul, que até 2008 se assemelhava ao sudeste, mas desde 2008 aumentou a porcentagem de mulheres eleitas, passando a ocupar a segunda colocação em 2016. Por fim, sugerimos que os dados parecem indicar que a explicação para tais padrões pode residir em outras variáveis, como grau da competição política, custo de campanha, acesso a recursos financeiros e outros aspectos já estudados por outros pesquisadores.Artigo Cenários para a reforma política : simulações a partir da adoção do distritão e do fim das coligações nas eleições proporcionais(2015) Carlomagno, Márcio CunhaEsta nota de pesquisa apresenta uma simulação de duas propostas para a reforma política em pauta no Brasil em 2015. Inicialmente é aplicado aos resultados eleitorais de 2014 o modelo de voto nominal, sem transferência de votos dos mais votados para os menos votados (distritão). Em seguida, fazemos uma simulação dos resultados de 2014 mantendo o sistema proporcional atual, mas com o fim das coligações. No tipo distritão, apenas 45 cadeiras legislativas mudam de ocupante, o que indica que o fenômeno puxador de votos (principal argumento dos defensores do distritão) não é tão grande assim. No modelo proporcional sem coligação, sobretudo nos estados com baixa população, os partidos políticos têm dificuldades de atingir o quociente eleitoral. Em sete estados, apenas um partido teria atingido o quociente e, como o Código Eleitoral determina que só partidos nesta situação podem concorrer às sobras eleitorais, este teria levado todos os deputados do estado. Alerta-se para a possível criação de um involuntário e informal sistema the winner takes all. Embora esta simulação tenha validade limitada, pois o comportamento observado dos atores políticos foi pensado para a lógica vigente em 2014, ela dá um vislumbre das tendências embutidas no caso da adoção de cada sistemaArtigo Sistema proporcional, puxador de votos e um problema inexistente : os mais votados já são os que se elegem(2016) Carlomagno, Márcio CunhaInvestiga o fenômeno dos puxadores de votos, apresentando os resultados para o tratamento de dados de seis eleições: vereadores em 2008 e 2012, deputados estaduais e federais, ambos em 2010 e 2014. Argumento que existe uma confusão conceitual entre quociente eleitoral, cuja obtenção não deveria ser esperada por parte dos candidatos, as posições finais na competição e o papel exercido pelos votos do partido/coligação. Contrariando a noção difundida de que os candidatos dependeriam dos votos partidários para eleger-se, demonstro que apenas entre 8% e 13% (a depender da eleição) dos eleitos não estiveram, na ordem final de votação nominal, em uma posição até o limite do número de cadeiras em disputa. Os resultados jogam nova luz sobre a compreensão acerca do sistema eleitoral brasileiro, argumentando que a importância da transferência de votos intra-lista tem sido superestimada. Ao fim, sugere-se questões de debate, à luz de potenciais propostas de reformas eleitorais.
