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    Artigo
    Classes populares, cultura política e Constituinte (1984-1988)
    (2018) Assis, Charleston José de Sousa; Tribunal Superior Eleitoral
    Investiga a cultura política dos brasileiros nos anos da transição para a democracia a partir das sugestões da população à Assembleia Nacional Constituinte, encaminhadas por carta ao Congresso Nacional. As cartas analisadas no presente artigo integram um conjunto documental composto por 72.719 missivas encaminhadas entre os anos 1986 e 1987, nas quais ficaram registradas as queixas, as reivindicações, as sugestões, os elogios, as decepções e os sonhos dos brasileiros que, em maior ou menor grau, acreditavam estar participando da construção de novo um país. Tais registros foram cotejados com outros contemporâneos seus (músicas, novelas, programas televisivos), oriundos de outros espaços, como as empresas de comunicação, de entretenimento e partidos políticos, através da qual se observa a correspondência temática e semântica entre eles. Na análise dos discursos dos missivistas considera-se que os mesmos integram a categoria de classes populares, entendida enquanto uma conformação social não alinhada aos projetos hegemônicos que atua de modo classista, sem que, contudo, seus integrantes pertençam a uma única classe social. Dessa forma, procurou-se compreender os vínculos que as pessoas comuns estabeleceram entre democracia e justiça social nas cartas, assim como identificar a perspectiva classista que aparece naqueles discursos e analisar as correspondências dos mesmos com outros discursos enunciados em diferentes espaços e por distintos atores sociais.
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    Outro
    Cultura política e participação popular na transição : uma análise do Plano Cruzado
    (2015) Assis, Charleston José de Sousa
    Examina a participação popular no Plano Cruzado por duas razões, aparentemente opostas: por um lado, pelo seu ineditismo e, por outro, devido à sua semelhança com as lutas sociais dos anos 1970 e 1980. Ele foi inédito porque constituído por multidões decididas a impor o tabelamento de preços ao empresariado e porque o povo parecia ter o governo ao seu lado após duas décadas que o mesmo estava no polo oposto. A semelhança com as lutas das décadas de 1970 e 1980 fica evidente ao analisá-lo ao lado das muitas lutas sociais do período: observam-se aspectos comuns e compartilhados, articulações e repetições. Percebe-se que as multidões apresentavam um modus operandi claramente herdado de experiências coletivas anteriores, o qual pode ser observado no recurso aos coros e ao Hino Nacional, entoados coletivamente, bem como aos slogans, a escolha dos alvos, etc., o que sugere uma educação política construída coletivamente e disseminada socialmente. O exame dos registros evidencia que o comportamento dos populares nas múltiplas ações coletivas do Cruzado possuía raízes em outras formas de mobilização e lutas sociais, forjadas durante e contra a ditadura. Para explicar o comportamento coletivo observado naqueles anos recorri aos historiadores Edward Thompson e Benedict Anderson. O primeiro auxilia a explicação do fenômeno através dos seus conceitos de classe e de noção de legitimação, enquanto o último quando explica que a unidade popular pode ser forjada através do sentimento nacional. As evidências empíricas indicam que a maioria dos integrantes das classes populares carregava consigo (e muitas vezes operava com) diversas experiências - da pobreza, dos movimentos sociais e político, do medo etc. - sobrepostas, mescladas e difusas, e, mais que isto, que tais experiências ajudaram a compor o perfil radical demonstrado cotidianamente à época. Sendo assim, apesar de haver muitas e distintas mobilizações, se analisadas do ponto de vista das experiências da maioria dos populares, todas elas vivenciadas pessoalmente ou através dos meios de comunicação, independentemente do seu caráter e finalidade, ajudaram criar uma noção de horizontalidade animada pelo sentimento pátrio, e, ao mesmo tempo, mas não contraditoriamente, classista - o nós versus