Voto econômico retrospectivo e sofisticação política na eleição presidencial de 2002

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2014

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Resumo

Aborda o tema do voto econômico a partir da perspectiva da desigualdade de sofisticação política entre os eleitores. Diversos estudos mostram que os eleitores brasileiros tendem a se basear na economia para votar e avaliar os presidentes. Essas evidências algumas vezes servem de suporte para a afirmação de que, mesmo não utilizando os partidos, os rótulos ideológicos e outras questões politicamente relevantes como referências para suas escolhas, o eleitorado de massa no Brasil seria capaz de tomar decisões criteriosas na política. Utilizando dados de pesquisa de painel coletados ao longo de 2002 em Caxias do Sul e Juiz de Fora, testa até que ponto o efeito da avaliação retrospectiva da economia (tanto do país quanto pessoal) sobre o voto para presidente depende do nível de sofisticação política do respondente. Os resultados mostram que a avaliação da economia tende a ser uma opinião instável ao longo do período analisado, e tem impacto sobre a escolha do candidato a presidente apenas entre os eleitores mais politicamente sofisticados. As implicações dos achados são discutidas e aponta-se para a relevância de se levar em conta o impacto da desigualdade de sofisticação política entre os eleitores no entendimento da dinâmica das eleições e da opinião pública no Brasil.
It discusses economic voting from the perspective of unequal political sophistication among voters. Several studies show evidence that brazilian voters are able to connect their perceptions about the economy to their vote choice and to their evaluations of the president. This evidence is often used to support the claim that Brazilian mass electorates are capable of making reasonable choices by basing their judgments on the economy instead of paying too much attention to parties, issues, or ideological labels. This article analyzes panel survey data from Caxias do Sul and Juiz de Fora in 2002 in order to test whether the effect of retrospective economic evaluations on vote choice depends on voters' levels of political sophistication. The results show that retrospective economic evaluations tend to be quite unstable over time, and that their impact is limited to the vote choice of more sophisticated voters. Finally, it discusses the implications of the findings and the importance of taking into account the inequality of political sophistication in understanding the dynamics of elections and public opinion in Brazil.

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PEREIRA, Frederico Batista. Voto econômico retrospectivo e sofisticação política na eleição presidencial de 2002. Revista de Sociologia e Política, Curitiba, v. 22, n. 50, p. 149-174, jun. 2014.

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