Trabalhos acadêmicos
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Dissertação "Impresso e auditável" : doxa e desconfiança no processo eleitoral(2024) Cruz, Yuri Holanda; Lopes, Monalisa Soares; Tribunal Superior EleitoralTem o objetivo de fazer uma análise do discurso de desconfiança no processo eleitoral, irradiado pela presidência da República, entre os anos de 2019 - 2021 e avaliar, manejando algumas teorias da Sociologia e Ciência Política contemporâneas, a disputa simbólica pela conquista da opinião pública, pela regência da doxa, em um embate discursivo com a Justiça Eleitoral. Pretendeu-se analisar como o discurso de suspeição no processo eleitoral, afeta a qualidade de nossa democracia. Propomos uma análise que privilegie a interlocução desse discurso de desconfiança com a Justiça Eleitoral pela sua particularidade frente aos demais órgãos do Poder Judiciário, além de ser instituição cuja área de atuação está atrelada à percepção que o cidadão tem da própria democracia. A opção metodológica pela análise do discurso se deu em razão da necessidade de entender como as palavras (e sua eficácia simbólica) sobre a desconfiança no processo eleitoral são matéria de construção da realidade social. Em outros termos: como a doxa, discurso estruturado e estruturante, difundido, reconhecido, autorizado e desapercebido, ajuda a formatar a percepção sobre a integridade eleitoral. Organizamos as análises em quatro eixos: (i) como se deu a relação entre o candidato e o discurso de suspeição; (ii) quais foram as estratégias de contenção e mascaramento deste discurso durante a ascensão aos espaços de consagração política; (iii) como, a partir da presidência da República, o que era desconfiança ganhou gravidade ainda maior e transformou-se em afirmações de certeza sobre fraude eleitoral, atingindo a percepção sobre a imagem da Justiça Eleitoral e, (iv) analisamos em microscópio aquela que ficou conhecida como live "bomba", por se tratar de transmissão em que se criou uma expectativa de revelação, na encenação do drama político, além de se tratar de evento que sintetiza bem todo o discurso de desconfiança que analisamos durante a confecção desta pesquisa. Concluímos, assim, que promover a dúvida quanto à lisura das eleições e de suas instituições gestoras pode ser algo muito diferente da busca por aperfeiçoamento técnico dos processos eleitorais. Quando lideranças políticas, sem estratégias de contenção por parte de seus partidos e outras instituições, reiteradamente promovem desconfiança no processo, atingem a percepção pública sobre a integridade eleitoral, repercutindo na qualidade da democracia experimentada.Dissertação A projeção da imagem política no discurso jornalístico : um estudo comparativo de revistas semanais de Brasil e Alemanha(2014) Souza, Ellen Barros de; Meireles, Selma Martins; Tribunal Superior EleitoralInvestiga o discurso jornalístico, em especial o gênero reportagem de revistas semanais de informação de Brasil e Alemanha, no que diz respeito a duas importantes figuras políticas desses dois países em ano eleitoral, a saber, Dilma Rousseff e Angela Merkel. É nesse contexto que se inserem as publicações Época e Focus, cujos projetos gráficos, em princípio, possuem semelhanças. Foram selecionadas dez reportagens dessas revistas, sendo cinco para cada título. Partiu-se da hipótese de que, por meio de seu discurso, as publicações tentam projetar algum tipo de ethos, seja positivo ou negativo, dessas personalidades políticas a fim de persuadir seu leitor em um contexto eleitoral. A fim de verificar tal hipótese, foram adotados os suportes teóricos da análise do discurso e seus modos de organização, de Charaudeau (2010b), as formas de discurso relatado e modalização, de Maingueneau (1997, 2011), as concepções de ethos (Meyer, 2007; Amossy, 2008; Charaudeau, 2008), além das considerações sobre o jornalismo (Lage, 1985, 2001). Os resultados apontaram para o fato de que, por meio de procedimentos linguístico-discursivos, as imagens das candidatas projetadas pelas revistas são, de modo geral, negativas. Isso significa que ambas as revistas possuem um posicionamento a respeito das duas candidatas, e, com isso, moldam o seu discurso a fim de persuadir os seus leitores a respeito dessas figuras políticas.Tese PSDB e PT no HGPE : a construção discursiva antagônica de 1994 a 2006(2018) Freitas, Felipe Corral de; Holmes, Pablo; Tribunal Superior EleitoralEstuda a estruturação discursiva das candidaturas à Presidência da República do PSDB e do PT veiculadas durante o Horário Gratuito de Propaganda Eleitoral (HGPE) nas eleições de 1994, 1998, 2002 e 2006, a fim de identificar suas diferenças constitutivas a partir de elementos antagônicos. Para tal análise foram utilizados os aspectos teóricos e metodológicos da teoria do discurso de Ernesto Laclau e Chantal Mouffe, com o intuito de identificar a relação antagônica estabelecida entre as candidaturas aqui estudadas, bem como os elementos constituidores de seus respectivos discursos. Buscou-se apresentar que toda relação política, e, portanto, toda disputa política, se constitui a partir da relação antagônica, e, por isso, toda relação antagônica pressupõe uma disputa política em torno de um ou mais temas. Assim, temas compartilhados pelos polos antagônicos produzirão sentidos opostos. Além disso, entendeu-se que o HGPE se constituiu um espaço de disputa política, por isso marcado por relações antagônicas e, portanto, um espaço formador de discursos.Dissertação Guia eleitoral : as relações dialógicas e a construção do posicionamento discursivo na campanha eleitoral majoritária do Recife em 2004(2006) Luna, Tatiana Simões e; Cunha, Dóris de Arruda Carneiro da; Tribunal Superior EleitoralInvestiga a construção do posicionamento discursivo nos guias eleitorais dos principais candidatos às eleições majoritárias de Recife em 2004, João Paulo e Cadoca. O estudo fundamenta-se na teoria enunciativa de Bakhtin e na tendência de análise do discurso francesa, representada por Authier-Revuz, Maingueneau e Moirand, sobretudo no princípio do dialogismo (ou heterogeneidade discursiva) e nas suas concepções de linguagem, de discurso, de sentido e de gêneros. Ao articular essas teorias, define-se o posicionamento como a identidade enunciativa que um discurso constrói em um determinado campo, a partir das relações dialógicas que trava com os discursos antagonistas. Foi também a partir desses estudos que foram definidos os procedimentos metodológicos. A análise contempla os aspectos lingüístico e discursivo, obedecendo à seguinte ordem metodológica: as estratégias discursivas; os movimentos dialógicos; e, por fim, a construção do posicionamento discursivo. O corpus utilizado consiste de 43 programas eleitorais produzidos durante a Campanha Majoritária de Recife em 2004, sendo 19 da Frente de Esquerda do candidato João Paulo e 24 da Frente de Direita do candidato Cadoca, os quais foram delimitados a partir dos temas mais recorrentes, a saber: saúde, habitação, emprego e renda. Os resultados mostram que os recursos lingüísticos, as estratégias discursivas e os movimentos dialógicos mobilizados pelas frentes partidárias são similares. A análise do corpus também mostrou que as frentes estruturam os programas eleitorais com base no formato de um jornal radiofônico, ancorando-se nos valores que os noticiários remontam à memória discursiva, para dar legitimidade ao discurso político. A despeito dessas semelhanças, constatou-se que elas constroem posicionamentos discursivos distintos. O posicionamento da Frente de Esquerda é construído na defesa da participação do Governo nos aspectos socioeconômicos, da inclusão social das pessoas carentes e das ações em pró do bem-estar social. Já a Frente de Direita constrói posicionamentos antagônicos: simula filiar-se ao discurso da solidariedade para criticar a atuação do adversário, no entanto, marca sua posição conservadora e neoliberal ao defender uma participação mínima do Governo na resolução das questões sócio-econômicas.Dissertação A argumentação no contrato político-eleitoral : o caso dos "apoiadores"(2014) Peixoto, Thiago Fernandes; Lima, Helcira Maria Rodrigues de; Tribunal Superior EleitoralNo ano de 2010, Jaques Wagner candidatou-se a à reeleição do governo do Estado da Bahia e Dilma Rousseff à presidência da República Federativa do Brasil, ambos pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Para alcançar o feito do ganho das eleições, um caminho distante da vitória foi iniciado, pois a luta para persuadir o eleitor de que os candidatos apresentados eram a melhor opção de voto requeria a utilização de muitas estratégias. Uma delas foi a de colocar em cena os apoiadores comuns e os apoiadores de prestígio da campanha, entendidos como aqueles que argumentavam em favor do candidato, visando dele construir uma boa imagem, bem como provocar efeitos patêmicos no eleitor a fim de que essa construção argumentativa culminasse no ganho de votos. Entendendo que os apoiadores constituíam uma estratégia argumentativa do contrato político-eleitoral, foi iniciada a pesquisa que culminou na presente dissertação, na qual foi realizada a análise de quatro vídeos de campanha eleitoral, sendo dois da candidata Dilma Rousseff e dois do candidato Jaques Wagner. Esse corpus foi selecionado por ter sido visto como o que apresentava uma maior diversidade de apoiadores de prestígio, já que a análise foi concentrada no papel que esses apoiadores desempenharam nas propagandas, bem como por terem sido os vídeos nos quais se percebeu uma maior utilização daquele que seria o principal apoiador de prestígio das propagandas eleitorais desses candidatos: o Presidente em exercício na época, Luís Inácio Lula da Silva. Para que se analisasse a forma pela qual os apoiadores eram utilizados na campanha recorreu-se à Teoria Semiolinguística, procurando, com isso, delimitar a situação e o contrato de comunicação a serem analisados, assim como à Análise Argumentativa no Discurso, a partir de Amossy (2010) e Lima (2006), de forma a empreender uma leitura dos vídeos baseada no entendimento da argumentação como uma parte integrante do discurso.Dissertação Discurso político-eleitoral da campanha presidencial no primeiro turno do ano 2002 : uma análise discursiva da promessa e da crítica(2004) Furtado, Maria Aparecida Silva; Mari, Hugo; Tribunal Superior EleitoralPropõe uma análise do discurso político-eleitoral que se compõe dos discursos dos seis candidatos à Presidência da República do Brasil na eleição do primeiro turno do ano 2002. Acreditamos que o conhecimento das condições de formação desse discurso possa ser útil para a compreensão dos fatos discursivos tanto na teoria quanto no seu funcionamento na sociedade. Este trabalho se constitui de cinco partes importantes. No capítulo 1, temos os aspectos gerais teórico-metodológicos nos quais este estudo se mostra estruturado. Na seqüência, o capítulo 2 constitui-se de bases teóricas da Formação Discursiva, da Teoria da Enunciação, da Teoria Semiolingüística e da Teoria dos Atos de Fala, utilizadas no desenvolvimento do trabalho. Os dados do corpus da pesquisa são analisados, no capítulo 3, a partir das teorias citadas e com vistas à caracterização do discurso político-eleitoral. No capítulo 4, destaca-se, com base na Teoria dos Atos de Fala, a análise de dois objetos desse discurso político-eleitoral: a promessa e a crítica. E, por fim, na conclusão, são apresentados os resultados analíticos do estudo, bem como novas perspectivas de pesquisa.Dissertação Entre insultos e falsas harmonias : a construção dos efeitos de agressividade no discurso político eleitoral na campanha de 2014(2017) Chiari, Geovana; Sargentini, VaniceDurante o período pré-eleitoral das eleições presidenciais no pleito de 2014, as notícias e os comentários acerca das campanhas políticas dos candidatos à presidência foram de que nelas se adotaram discursos agressivos, seja nos debates, nas redes sociais, nas campanhas televisivas, ou mesmo nos sites oficiais de campanha. Isso se deu tanto no primeiro turno quanto no segundo, entretanto, em um quadro de disputa mais acirrada pela sucessão presidencial, o período referente ao segundo turno, entre a presidente Dilma Rousseff (PT) e o ex-senador Aécio Neves (PSDB), foi marcado pelo confronto também dito ainda mais agressivo e acalorado. É importante ressaltar que estas notícias e comentários sobre a agressividade da referida campanha são também construções discursivas, apresentam uma impressão que atestam um aumento da agressividade, motivo pelo qual não podemos tomá-las como pressuposto e ponto de partida para análise. Porém, a constante reprodução de discursos que caracterizam a campanha de 2014 como agressiva, já constitui um indício pertinente para análise do que se compreendeu como insulto, agressão. Outras importantes questões que nos impulsionam a olhar para esta campanha é a própria mudança da organização dos debates televisivos - interlocução direta entre os candidatos, posicionados frente a frente - , a intensificação do uso das redes sociais, bem como dos sites oficiais dos candidatos, dentre outros aspectos que favoreceriam um possível aumento da agressividade ou a produção de uma maior visibilidade do dito agressivo. Tendo em vista as particularidades referentes à organização e funcionamento dos médiuns (debates, sites, redes sociais e blogs) nesta campanha, e a emergência de discursos que a caracterizam como agressiva, elegemos como objetivo deste trabalho a análise do discurso dito agressivo, buscando compreender sua formulação e materialização no discurso político, a qual pode se dar pelos recursos da ironia, da seleção temática, do dizer derrisório, do escracho, da gestualidade, do tom de fala, da alusão, dentre outros. O que seria o discurso agressivo, ácido, desrespeitoso? Como ele se materializa no discurso político? Orientados por essas perguntas de pesquisa e pelo arcabouço teórico da Análise do discurso de linha francesa, propomos a análise de fragmentos dos debates políticos televisivos, imagens que circularam nas redes sociais (Facebook, Blogs), bem como nos sites oficiais de campanha, no período pré-eleitoral, tendo o objetivo de compreender como se produz e circula o que, no Brasil, se denomina agressivo no discurso político na atualidade.
