Trabalhos acadêmicos

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    Tese
    O agendamento do aborto na campanha presidencial brasileira em 2010 : reverberação e silenciamento estratégicos entre imprensa, mídias sociais e candidatos
    (2013) Barreras, Sandra Eliane Olivera Bitencourt de; Weber, Maria Helena.; Tribunal Superior Eleitoral
    Esta pesquisa trata do agendamento e debate de um tema tabu, o aborto, durante a campanha eleitoral na disputa pela presidência do Brasil em 2010. À luta simbólica em torno da construção dos acontecimentos que caracteriza a disputa política contemporânea, somaram-se a emergência de um tema polêmico e um novo locus para produção e distribuição de informações, a internet, permitindo pontuar os ganhos e limites democráticos dos debates públicos ampliados. Assim, são investigados os fatores e estratégias de influência sobre os temas que candidatos e públicos vão discutir, buscando identificar o desempenho da imprensa nas correlações entre eleitores e candidatos pela abordagem de um tema polêmico como o aborto, o papel das mídias sociais e a tática dos candidatos. A reflexão teórica passa pelos conceitos de democracia, as relações de mídia e política e os processos de comunicação, opinião e imagem pública, bem como as especificidades do tema em questão. O desenvolvimento da pesquisa parte da hipótese do agendamento, articulando as agendas do jornalismo, da política e do público. A abordagem é qualitativa, com as técnicas de análise histórico-descritiva e análise de conteúdo. Para operar as análises são utilizadas as categorias de agendamento, reverberação, representações e silenciamento. O recorte de tempo é o segundo turno das eleições presidenciais, quando o tema aborto alcança picos de visibilidade. O trabalho conclui que os meios de comunicação de massa mantêm seu poder de agendar os assuntos que serão discutidos, mas também são influenciados pela agenda política e pela internet, que tem na conversação e distribuição da informação modos de influenciar o repertório da campanha. Embora de interesse público, mas demarcado por questões privadas, o debate em torno da polêmica foi interditado pelos preceitos da propaganda, por tratar-se de tema incômodo, por não prestar-se a performances estéticas atraentes e por ter sido proposto em termos estratégicos por grupos bem organizados.
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    TCC/Especialização
    Entre o privado e o público : esboço para uma história política do direito ao voto feminino
    (2008) Bezerril, Fernanda Daniella de França; Montoia, Ana; Tribunal Superior Eleitoral
    Tendo em vista que, entre a segunda metade do século XIX e as primeiras décadas do século XX, os requisitos discriminatórios de participação na vida política (de renda, religião, idade, estado civil e sexo) foram sendo sucessivamente abolidos ou tornados menos coercitivos, a pesquisa pretende apresentar e compreender os argumentos que moveram à incorporação da mulher na ordem capacitária e no princípio político do sufrágio universal. Busco em primeiro lugar acompanhar o debate intelectual que sustentou o direito ao voto feminino e seus impasses teóricos, em particular da forma como exposta na teoria política da representação de John Stuart Mill. Apresento, depois, a história política da instalação do voto feminino na Inglaterra, nos Estados Unidos e na França, na tentativa de esboçar as dificuldades próprias à extensão do direito ao voto a essa parcela da população. Nessa história, é a ambigüidade constitutiva da própria idéia de representação política da mulher - entre a ordem do privado e sua expressão pública - o que mais se destaca, como bem expresso por Tocqueville, indicando também as dificuldades da instalação do indivíduo democrático. Por fim, busco compreender os argumentos teóricos que avançaram a inclusão da mulher ao sufrágio universal no caso brasileiro. Faço uso da legislação eleitoral, que bem indica os impasses que acompanharam essa história até 1932, data em que o voto feminino foi reconhecido no Brasil, e procuro acompanhar, na imprensa paraibana, a formação de uma "opinião pública" favorável à extensão do direito político às mulheres.
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    Tese
    Representações da opinião pública em editoriais sobre a eleição presidencial de 2006
    (2010) Furtado, Maria Aparecida Silva; Souza, Wander Emediato de; Tribunal Superior Eleitoral
    Busca compreender melhor a representação da opinião pública em editoriais do jornalismo impresso. Buscamos conhecer melhor a natureza da opinião pública representada em editoriais dos jornais Folha de São Paulo (FSP) e Estado de Minas (EM). Foram selecionados editoriais que abordaram a eleição presidencial de 2006. Esta pesquisa embasa-se em três perspectivas teóricas: jornalística, argumentativa e semiolinguística. Buscando uma interface entre essas perspectivas, este trabalho parte do conceito de opinião pública expresso por Beltrão (1980) e das concepções sobre o mesmo assunto propostas por Melo (1985 e 1998), Neoellle-Nuemann (1995), Lopes (2006), Hohlfeldt (2001) e Charaudeau (2004, 2006, 2006a). Assim sendo, a opinião pública, neste trabalho, é tratada como uma entidade mais ou menos homogênea, resultante do cruzamento entre conhecimentos e crenças de um lado e opiniões e apreciações de outro. Por meio do campo do Jornalismo, buscamos compreendê-la como representação que ajuda a constituir o discurso jornalístico e o seu funcionamento na sociedade. Através da argumentação, estudamo-na como elemento que determina os posicionamentos discursivos dos editoriais da FSP e do EM. Esse elemento surge no discurso a partir dos tipos de objeto de acordo, alguns fundados na estrutura do real, como os fatos e as verdades, outros em doxas e valores, categorias da teoria da argumentação de Perelman e Olbrechts-Tyteca (1958). Por fim, embasando-nos também na perspectiva semiolinguística de Charaudeau, abordamo-na como um Tiers interdiscursivo que faz parte do contrato comunicacional desses editoriais com seu leitorado imaginado. Em síntese, nosso estudo revelou que a opinião pública representada nos editoriais analisados dos jornais FSP e EM possui natureza diversificada, variando-se, dentre outros fatores, de acordo com a imagem que cada jornal possa vir a projetar da ética cidadã e do espaço público mediante a diversidade de tematizações que surgem, diariamente, no contexto midiático.